Amor e dor..
Regina Michelon
Poesia: Doces palavras criadas ao seu encanto. Enquanto Canto.
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Um dia no hospital

Um dia no hospital
Cansada, o peso dos anos tomaram conta. Mas deve ser mesmo um desequilíbrio emocional. Mulheres. Essas mulheres são complicadas. Marta essa assim.

Ela precisou passar 40 dias, cansand0, ofegando ao subir escadas. com um muco inexplicado cada dia mais expesso. Olhava a nova esteira elétrica  com desdém. Um bem de alta tecnologia deixada de lado, comprado em 10 dolorosas prestações.

Dia após dia, vem o mesmo pensamento. Preciso ir no hospital.
Tinha um plano de saúde e muitos afazeres. Um caro plano de saúde.

Os meninos e meninas e os filhos e filhas dessa equipe de trabalhadores dependiam da velha cansada. Nem velha era. Nem tão velha era.
O trabalho de domingo era só a desculpa. Mesmo com um dia de folga Marta e não descansava. Tinha mais tarefas a fazer. Uma fila dela esperando.

A Asma de estimação resolveu chegar e ficar. E Crescer, CRESCER, até sufocar. a tosse ecoou no mundo inteiro. o Pulmão, a garganta, o corpo todo dolorido. Sentia que todas as células doíam.

Teve mesmo que pedir socorro. Foi ao hospital direto do trabalho, quase sem voz. Com farda industrial ainda.

Foram 20 minutos 20 minutos foi para avaliação. A enfermeira que tacou uma bolinha verde na posseira. Ela sabia o significado " essa praga deve estar com virose. vai mofar na sala de espera" achou que leu os pensamentos da enfermeira. Sem pressão alta, sem diabete. Vai esperar. Esperou. esperou e esperou. três horas depois chamaram seu nome.
Uma médica com cara de boneca atendeu. Parecia que tinha 16 anos, comentou. Ela tinha pressa de deixar o hospital. A impaciente, com pressa. Tinha cliente esperando. 
Mais meia hora Marta foi finalmente atendida. 
- Faremos exames em seu pulmão e de sangue. Vai fazer nebulização e tomar medicação, se tudo ficar bem, te libero em 6 ou 7 horas.
Uma paciente impaciente que transforma a emergência em tortura, não fez dessa vez. Precisava parar de sentir dor, para respirar.

Usou sete horas sem dor, para seu deleite. Viajou nos pensamentos, brincou no celular. Fez mídia. Não tirou foto de si mesma para não se vitimizar. Sentia-se bem.
Estava segura não mãos do corpo clinico do Hospital Aeroporto. Foi muito bem tratada lá. Como sempre.

A doutora receitou uns três kg de remédios. "Bronquite asmática severa" . Com asma há 40 dias, achando que era velhice aguda. Só é velho quem aceita a velhice. Quando se incapacita. Marta nunca fora assim.

- Vá ao pneumologista urgente. Ainda essa semana. Disse a doutora.
Foi direto para farmácia. domingo a noite. Com fome. MC'Donald foi a  única opção.

O comando do cérebro, o comando de si próprio, era assim que a mulher da bolinha verde faz. Gosta muito de ficar só, sair só, tomar uma cerveja sem ninguém me incomodar e pensar muito. Era uma ótima companhia pra si mesmo. Simples assim.

Ficou um veredito cinza,  com bolinha verde ainda. A esteira me espera. Por enquanto é obedecer a determinação médica e se isolar ainda, mais.

Marta odeia a inércia.
 
A Regina Michelon
Enviado por A Regina Michelon em 02/12/2019
Alterado em 27/03/2020
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